quarta-feira, 30 de abril de 2008

Um amor de ônibus

Sentou-se ao lado dela nervoso. Há dias a via tomar aquele ônibus, mas apenas hoje tivera a sorte de encontrar vago um lugar a seu lado. Mãos suadas e bochechas quentes refletem as noites mal dormidas de pensamento longe. Ele olha pra ela, dá um sorriso amarelo e ela retribui iluminada por dentes perfeitamente brancos. Ele pensa no que poderia dizer, em quais assuntos puxar.

Belo dia, heim? Calor, né? Ah não, deveria ser algo especial. Você viu ontem o desmoronamento do túnel Rebouças? Não, Jornal Nacional não. E então, você prefere Nitsche ou Montaigne? Péssimo, passar por intelectual não dá. Quem sabe então perguntar sobre a vida dela? Você estuda aonde? Pronto, agora a garota o acharia intrometido. E então um elogio? Blusa linda a sua. Ela pensaria que ele estava reparando em algo debaixo da blusa.

Quem sabe um oi? Estava decidido, oi era a melhor opção. Limpou as mãos na bermuda, imaginou a entonação exata, limpou o suor da testa e virou pra ela já com a boca entreaberta. Foi quando ela se levantou e pediu licença.

Nunca mais se encontraram.

Correria e Feriado

Pois é, a idéia de ter um blog era que ele tivesse conteúdo diário, e não ficasse abandonado logo em sua primeira semana de vida.

Acontece que a correria no trabalho excluiu meu tempo livre, de uns meses pra cá as coisas não andam muito fáceis por aqui...

O bom é que finalmente chegou a quarta-feira e o feriadão já está por aí. Nesse eu não pretendo viajar, mas quero fazer um chocolate quente bem grossinho e ver vários vídeos. Dar uma volta no Ibirapuera e ver as exposições que pipocam por lá também vai ser bom. Com um tempo fechado desses um foundie também vai ser uma boa pedida, e é óbvio que baladinhas não podem ficar fora da lista.

Ótimo feriado pra vc e pra mim!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fome de bola

Sempre gostei de jogar futebol. E não precisava ser com meninas não, muito pelo contrário, sempre achei muito mais divertido jogar com os meninos.

No começo eu era goleira, mas depois de um tempo passei a jogar na defesa. E se você acha que eu era perna-de-pau está muito enganado. Eu era sempre a segunda do time a ser escolhida, obviamente depois do meu irmão, que sempre foi um goleador.

No interior era sempre assim, um mês inteiro de bola de manhã, à tarde e até no comecinho da noite. Chegava em casa suja, descabelada e às vezes com o joelho ralado. E feliz, muito feliz.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Apenas seis anos.

Ela sempre se sentiu assim, deslocada, meio fora de rumo. Ele não, era meio imaturo pra pensar em certas coisas.

Uma noite ela resolveu sair pra dançar com velhas e novas amigas e encontrou com ele. Na verdade foram suas cabeças que se encontraram ao procurarem pelo isqueiro dele. Ele, meio sem jeito, resolveu que sua investida acabara ali. Ela o segurou pedindo pra que ficasse. Conversaram, se beijaram e ele logo foi marcando um almoço para o dia seguinte. Ela, que embora ingênua já se considerava uma conhecedora de homens, apostou que aquilo seria esquecido depois de curada a ressaca.

Mas eles se falaram no dia seguinte e nos outros dias de toda semana, por horas. Iam se descobrindo e se gostando de pouquinho em pouquinho. Semana seguinte se encontraram novamente e eis que eram como velhos conhecidos, andando de mãos dadas e conversando por mais horas e horas. Ele já foi logo lhe pedindo em namoro e ela decidiu que precisavam se conhecer melhor, quem sabe dali a um mês.

Continuaram saindo e depois de um mês certinho ele repetiu o convite e ela prontamente aceitou. Prontamente não, afinal, não era uma garota fácil. Meses se passaram, um ano de namoro, dois, quatro.

Eles tinham crises que o amor que sentiam sempre superava, crises pela família, crises pelos amigos, pela faculdade. Mas continuam juntos, com um amor que ultrapassava barreiras econômicas, religiosas e sociais. Até que ele começou a não ter tempo mais pra ela, e o tempo que tinha se tornou amargo e distante. Foi quando ela decidiu terminar.

Pensou por meses, agüentou coisas que nunca imaginou suportar e finalmente terminou. Seis anos se tornaram quase nada quando ela, arrependida, pediu para voltar. O orgulho dele tinha se tornado maior que o amor que sentia e o arrependimento dela não fora capaz de lembrar-lhe do sentimento que um simples encontrão de cabeças um dia provocou.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A que deseja apresenta seus desejos

Há tempos eu pensava em criar um blog. Não daqueles com um tema específico, muito menos para falar o que comi ou com que roupa estou vestida.

Um blog para exteriorizar sentimentos guardados, pensamentos escondidos e, acima de tudo, desejos incontidos.

Como brinde talvez rolem algumas músicas, imagens e bons textos. Para a sua e a minha apreciação, seja lá quem formos.

Beijo e seja bem-vindo.